5 minutos com Carolina Ruas – Ventilando um Novo Cinema Brasileiro
Postado em 15 de novembro de 2011
por Ítalo Galiza
Vamos falar de cinema brasileiro?
Ou melhor, vamos falar do NOVO CINEMA BRASILEIRO! Demorou, mas finalmente chegou o conteúdo do 5 minutos com o comentário da jornalista Carolina Ruas sobre a nova safra de produções audiovisuais do país. Com filmes produzidos com até 50 mil reais, esses novos cineastas se juntam em coletivos e ganham a cena em uma nova estética caracterizada pela geração B.O. (baixo orçamento). O filme Riscado (foto), de Gustavo Pizzi, é um dos exemplos citados pela Carol.
Quer ouvir o comentário completo? Clique aqui.
O quadro 5 minutos é exibido toda quarta-feira, ao vivo, dentro do Programa Vice Verso, de 20 as 21h, na rádio Universitária FM 104.7. Ouça pelo site.
Abaixo, o comentário de Carolina Ruas ao pé da letra:
Difícil falar em uma nova tendência do cinema sendo independente e de baixo orçamento quando a realidade dessa categoria, como um todo, no Brasil, sempre foi muito próxima do cinema de baixos recursos comparado ao resto do cinema hegemônico mundial. Assim, em termos produtivos e orçamentários, podemos entender que quase 90% do cinema feito no país poderia ser chamado de baixo orçamento, mas no contexto nacional, existem grandes diferenças nas produções que tem orçamentos próximos. Para a Agência Nacional do Cinema (Ancine), então, convencionou-se chamar de cinema independente toda a produção que não tem vínculo direto com empresas da teledifusão; e baixo orçamento, seria a classificação, também segundo a Ancine, dos filmes produzidos com menos de R$ 2 milhões.
A dificuldade em definir essa classe vem justamente com a ascensão de um tipo de cinema (que chamamos de independente pelas classificações acima ou por uma falta de compreensão de como ele se comporta) que tem elevado a produção brasileira nos festivais, e que, além dos entraves produtivos, também apresenta uma nova estética. A sétima edição da Mostra Produção Independente da ABD Capixaba (em outubro passado) trouxe filmes e debates sobre essa construção e colocou uma questão interessante: existe uma nova estética se formando com a geração B.O. (baixo orçamento)?
Os filmes exibidos como representantes dessa nova safra, A Alegria, Riscado e Os Monstros, parecem não ter necessariamente uma aproximação de estilo evidente. É certo que tais obras possuem certa fluidez na narrativa que caminha para a escolha de um nicho onde ele encontra seu público e seu eco. Entretanto, é inegável que o que une esses exemplares é o arranjo produtivo que se encontra por trás da obra e que se multiplica por todo o país a ponto de ter se tornado referência como a melhor safra da produção brasileira contemporânea.
Alguns pontos que caracterizam essa nova geração (que mal chegou aos 30 anos de idade) é a disposição em fazer filmes com os recursos que tem em mãos, economizando no tempo, na equipe e sempre buscando saídas criativas que não pesem no orçamento. Há, nesse sentido, um crescimento na utilização de recursos privados e o desprendimento de editais públicos de incentivo, ao mesmo tempo que surgem investimentos de fundos internacionais nessa produção brasileira, como o holandês Hubert Bals, que financiou a finalização de A Alegria.
Uma outra característica marcante na nova safra de cinema brasileiro (e independente) é a utilização de uma força colaborativa na produção. Pessoas que pensam cinema também estão cada vez mais organizados em coletivos ou produtoras informais que investem na produção de cinema autoral. Nesse sentido, despontam nomes como o Coletivo Teia (MG), o Coletivo Alumbramento (CE) e a Duas Mariola (RJ).
Cavi Borges (foto), realizador de diversas obras a frente da Cavídeo Produtora, em entrevista a Revista Milímetros da ABD Capixaba, explicou de uma maneira bem simples como funciona o troca troca de funções dentro da produtora: “São vários parceiros que fazem parte dessa rede. O Gustavo Pizzi, por exemplo, editou o L.A.P.A., produziu A Distração de Ivan, e aí eu decidi produzir o Riscado. Nesse esquema, a Cavídeo consegue fazer curtas com 3 a 4 mil reais e longas com 20 a 50 mil reais”.
Em uma perspectiva ainda mais acentuad
a de coletivismo, os cearenses do Alumbramento se destacam pelas suas produções que já foram comparadas ao cinema de Glauber Rocha (foto). Estrada para Ythaca e Os Monstros são obras realizadas pelas quatro cabeças – Luiz e Ricardo Pretti, Pedro Diógenes e Guto Parente – que assinam roteiro, direção, fotografia, edição de som, montagem e inclusive atuam no filme. Dominando todas as fases do processo cinematográfico, eles conseguem fazer filmes com 2 mil reais e que resulta num alto grau de autoralidade que espanta os críticos e plateias de todo o mundo.
Apesar de estar diretamente atrelada à questão financeira, não é somente o baixo orçamento que define o ‘cinema B.O.’ brasileiro. Parte mais de um sentimento de pró-atividade que tem mobilizado esses jovens atores do cenário a produzir e se posicionar no mercado entendendo a necessidade de transformação do cinema brasileiro. A estética B.O. é mais que cinema independente, é a própria renovação do cinema brasileiro que, ao invés de esperar que cheguem bons ventos, prefere construir seu próprio ventilador.
Carolina Ruas é jornalista, coordenodora de Comunicação do Fora do Eixo -ES e participante do Grav (Grupo de Estudos Audiovisuais – Ufes)





















































