Diário de filmagem – Confinópolis
Postado em 2 de setembro de 2011
2° dia de gravação – 20.08.2011 – Centro de Vitória, casa da mãe do Leonardo Prata e Comando.
O segundo dia de filmagem começou cedo, era um sábado. Quando acordei, o dia estava fechado, mas logo o céu abriu proporcionando um dia lindo e ensolarado. Teve duas etapas: a primeira, em cima do prédio com visão panorâmica do centro de Vitória. E a segunda, pela tarde, na rua da sede do Expurgação. Estava marcado para começar às 08:30 mas devido alguns atrasos começamos lá pelas 9 e alguma coisa.
O Alex passou aqui em casa de carro, pegamos os equipamentos, fomos para casa do Léo. Ficamos esperando por ele que vinha de bike. Enquanto isso nós fomos comprar uma caneta que escrevesse na claquete desenvolvida pelo Guido e alguns lanches para o set de filmagem. Com a chegada do Léo, pegamos toda a nossa tralha e subimos para o terraço do prédio. Nossa equipe era menor ainda do que no primeiro dia de gravação: Alex, Alexandre, Boone, Guido, Léo e eu. As cenas foram se desenvolvendo, fizemos diversos takes para ter opções na hora da edição. O calor e o sol deram uma maltratada na equipe. Cenas extras foram surgindo para compor e preencher mais o desenvolvimento da história. A captação de áudio ficou um pouco prejudicada devido ao vento, vimos à utilidade da “pelúcia” contra vento, por enquanto não temos a verba para adquiri-la. Ao meio-dia, como previsto, as filmagens acabaram. Todos famintos, era hora do almoço. O Léo ficou de nos apresentar um restaurante vegetariano chinês localizado na rua atrás do Carlos Gomes, subindo umas escadas.
O restaurante era ótimo, comida excelente, ficamos todos muito satisfeitos. A problemática foi à conta mesmo. Passou da previsão de custo da produção daquele dia. Como “cortesia” a conta foi toda da “Camarão filmes”. A decisão agora é que haverá um planejamento melhor quanto a este tipo de gasto, alternativas como lanches em dias com muitas cenas. De bucho cheio partimos para o Comando, sede do coletivo Expurgação e do Fora do eixo. Lá deixamos os equipamentos e nos preparamos para as filmagens na rua. A essa altura o Marcial chegou para dar um apoio.
As cenas externas tratavam-se do personagem principal saindo do prédio, andando pela cidade, indo para lugares mais ermos para se disfarçar e começar uma serie de ações contra o sistema de Confinópolis. Alex deu uma canja como ator figurante que esbarra com o personagem principal. Trajava uma jaqueta de couro e uma peruca black power, achada ali no Comando. Ficou cômico, mas deu personalidade aos cidadãos de Confinópolis, ambientando, somando para imersão deste universo. Esqueci-me de dizer que no primeiro dia de filmagem o Guido também atuou como ator figurante. Entregava um pacote ao personagem principal. Vou frisar que ele, entre os membros da Camarão, é o melhor ator. Legal atuar em nossos próprios filmes. Quem sabe ainda Alexandre e eu atuamos. É uma emoção filmar na rua. Apesar de ser sábado, com pouco movimento no centro da cidade, ainda havia muitas pessoas. Muita interação rolou por conta do Marcial, que possui um bom poder de convencimento. Em uma das cenas pedimos a participação de um cidadão que passava na rua, carregando um carrinho cheio de coisas. Desacreditado ele interrogou “Tá de brincadeira!?”, correu para o inicio da rua, onde estava o Boone e viu que ele estava de máscara. Teve a certeza que não era uma gozação, botou a máscara e atuou feliz da vida. Outra cena, que foi gravada ao lado do Palácio Anchieta, causou certa movimentação e curiosidade dos transeuntes. O personagem principal entra num beco sujo, abre sua bolsa e bota sua jaqueta. O local estava muito limpo, precisaríamos criar aquele ambiente. Guido foi atrás de alguns lixos para espalhar na rua, achou uma caixa cheia de papel, perfeito para dar o aspecto sujo que queríamos e também fácil de recolher depois. Outra coisa que seria legal ter ali na hora era uma lixeira grande. Logo apareceu um gari que nos emprestou a lixeira e falou que poderia limpar a rua para gente. A sorte realmente parece que estava ao nosso lado nesse dia. Ainda tinha mais, como já não bastasse tudo isso, pensávamos num som de sirene ao fundo dessa cena, como a policia apareceu por lá, Marcial pediu uma força e foi prontamente atendido. Agora estava tudo certo para rodar a cena: rua suja, policia pronta para ligar a sirene, “Som, okey?”, “Silêncio!”, “Claquete!”, “Ação!”. Tudo prosseguindo como combinado, eu iria levantar a mão e nessa era a hora a sirene iria ligar, levantei a mão e ouviu-se um grito: “Vai Marcelooooooo!” e a sirene começou. Era o cabo Xavier gritando para o outro ligar a sirene, bem no meio da cena. Não aguentamos e começamos a rir e recomeçamos a gravação da cena. Outra coisa curiosa foi uma entrevista que demos logo após as filmagens para um rapaz, de alguma faculdade que eu não me lembro, que estava por ali visitando o Palácio com direito à fotografia. Este foi o fim de mais um dia de gravação de Confinópolis. Meus agradecimentos ao: José Chagas (gari), Cabo Xavier, Soldado Marcelo (policiais), Everson e Richardson (seguranças do Palácio), Leonardo Prata, Coletivo Expurgação e ao cidadão do centro que infelizmente por falha nossa não pegamos o seu nome. Obrigado!
Por Raphael Araújo




















