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jan 13

Oficina de Dança Moderna: Técnica de Martha Graham

Uma boa dica nessas férias para os aspirantes da Dança é uma oficina de dança moderna que tem como conteúdo as técnicas da aclamada bailarina, coreografa e professora Martha Graham. A oficina acontece na Escola de Teatro, Dança e Música – FAFI, que fica na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória. As aulas acontecem nas terças e quintas-feiras, às 18h horas. Valor: R$ 20,00. O instrutor é Gil Mendes, Professor da Instituição. Maiores informações pelo telefone: 3381-6923 

Movido pelo tema desta oficina e também pela pesquisa que ando fazendo sobre a dança do Século XX, nada melhor do que escrever um pouco sobre o método que esta mulher desenvolveu, dita como uma lenda na arte do corpo e como a mãe da dança moderna. Uma técnica que acabou por ajudar a trilhar os caminhos da dança contemporânea.

Martha Graham é uma das principais construtoras da dança moderna. Nasceu nos EUA em 1894 e faleceu em 1991. Estudou na Denishawn, escola e companhia de Ruth St. Denis e fundou, em 1927, a Martha Graham School of Contemporary Dance, sua própria escola, baseada na crença profunda de que o corpo e o movimento poderiam transmitir tudo de maravilhoso que o ser humano pode ter.

Ela não começou sua carreira quando criança como fazem a maioria dos bailarinos e bailarinas profissionais. Martha iniciou seus estudos aos 23 anos, inspirada pela pesquisa do pai, neurologista que diagnosticava resultados a partir de movimentos do corpo. A partir daí, nasceu nela a vontade de explorar sentimentos e sensações interiores que moviam a necessidade de resgatar princípios básicos de concepção artística perdidos ao longo da história. Para exemplificar esses elementos é comum a utilização de recursos cênicos no espetáculo como: cenários móveis, objetos cênicos simbólicos, decoração fragmentária e textos incorporados à dança. Tudo isso foi uma revolução no início do Século XX, pois implantava um movimento que estava disposto a quebrar a formas de dança tradicional e promover novas linhas de pesquisa para afirmar formas de expressão que priorizavam uma libertação do movimento e não mais as formas rígidas e narrativas do Balé Clássico.

Comparada a Picasso, no seu alcance artístico, Graham tomou muito das fontes que alicerçaram o modernismo. Quando a dança não lhe oferecia modelos nos quais pudesse se inspirar, voltava-se para outras artes, como a pintura de Picasso, os livros de Kandinsky, a música de Bela Bartok, o surrealismo de T.S. Eliot; sem falar na psicanálise de Freud e Jung.

Essa tendência da possibilidade de mesclagem entre linguagens esteve presente na obra dessa coreógrafa. Seu trabalho propunha processos de rapto, absorção e integração de elementos numa obra nova, atingindo uma reinvenção. Graham relacionou os temas resgatados com as observações que faz do mundo daquela época, mergulhada na angústia e revolta, pois a Primeira Guerra Mundial e a Crise de 1929 arrasavam seu país, fatos que acometem uma parte da tragetória da bailarina. Esses sentimentos vão propor gestos violentos e impulsos bruscos,que lançam o corpo. A coreógrafa também se apoderou de meios dramáticas para exprimir diversas sensações como a agonia, raiva, êxtase, dor, etc.

Martha foge da imitação de elementos da natureza e não prioriza uma manifestação graciosa de um corpo perfeito. Em primeiro lugar, é levado à tona uma exposição densa, humana e marcante, capaz de revelar o sangue da alma.  Numa de suas falas, ela acentua no que o homem tem de mais glorioso e mostruoso: “Quero falar sobre problemas do nosso Século, onde a máquina perturba os ritmos do gesto humano e onde a guerra fustigou as emoções e desencadeou os instintos.”

Martha Graham é considerada uma profeta no legado que deixou. Sua obra não foi apenas uma manifestação cultural, mas também uma profunda análise do homem e da possibilidade de construção de uma consciência do mundo que nos cerca.

Abaixo, um vídeo que mostra uma coreografia marcante da obra de Martha: “Lamentation”. Confira:

 http://www.youtube.com/watch?v=xgf3xgbKYko

 Para escrever este texto, tive como base o artigo “Martha Graham: Intersemioticidade e Composição Coreográfica”, que está disponível em www.conexaodanca.art.br. Esse site veicula notícias de eventos das Artes Cênicas no país e disponiliza artigos, entrevistas e outros conteúdos sobre o tema.

 Até mais!

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